Filhote de macaco fica órfão depois de mãe ser atropelada quando fugia de incêndio com ele nas costas no Pantanal de MT

Filhote de macaco fica órfão depois de mãe ser atropelada quando fugia de incêndio com ele nas costas no Pantanal de MT
Filhotinho foi resgatado após ficar órfão — Foto: TVCA/Reprodução

Um filhote de macaco foi resgatado pela Polícia Ambiental do incêndio que já dura mais de 40 dias no Pantanal mato-grossense. Ele estava nas costas da mãe quando foram atropelados ao cruzarem uma rodovia.

Ele é um dos 108 animais silvestres resgatados pelo Batalhão de Proteção Ambiental da Polícia Militar entre julho e agosto deste ano, de áreas atingidas pelas queimadas O número representa 50% a mais que o mesmo período do ano passado.

No entanto, alguns animais que foram resgatados do Pantanal não conseguirão voltar à natureza devido aos ferimentos causados pelas queimadas.

O tenente Edson Mendes Júnior do Batalhão de Proteção Animal disse que a fumaça traz à saúde dos animais. “A fumaça causa problemas pulmonares que vão se arrastar e eles podem ate sofrer cegueiras por causa da fumaça dos incêndios florestais”, explicou.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), na tarde dessa terça-feira (25) fez 40,2ºC na capital. Há uma semana foi registrado recorde de calor do ano quando os termômetros marcaram 41,4ºC e, na mesma semana, na sexta-feira (21), a capital teve a menor temperatura do ano: 11,6ºC. 

Vídeo: Alguns animais resgatados de áreas queimadas no Pantanal não terão condições de voltar à natureza.

A volta do calor e a queda da umidade relativa do ar contribuem para as queimadas no Pantanal que já teve mais de 10% da área afetados pelo fogo.

A trégua de poucos dias que o fogo tinha dado por causa da temperatura mais baixa acabou no Pantanal. Passado o período de temperaturas mais baixas, o fogo agora já voltou a ter mais intensidade. Na região onde as chamas se alastram, chega a fazer 35ºC durante o dia.

Os bombeiros tentaram criar linhas de defesa para combater o incêndio, mas o esforço não impediu que o fogo avançasse. São mais de 100 pessoas trabalhando no combate às chamas, entre militares, brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e do estado. Trabalhadores rurais e fazendeiros também tentam ajudar.

A prioridade é evitar a destruição de casas e pontes. A queimada já atingiu mais de 10% da área do Pantanal. É o pior incêndio em 22 anos. Também é um desastre ambiental.

Veado resgatado com queimaduras graves em incêndio no Pantanal foi sacrificado. — Foto: Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental (BPMPA)

Um veado-mateiro teve que ser sacrificado depois de não conseguir escapar das chamas.

Em Barão de Melgaço, que tem um Santuário de Araras-azuis, a prefeitura decretou emergência por causa dos prejuízos causados pelos incêndios. Quando o fogo se aproxima, os animais de desesperam. Alguns conseguem fugir, mas ficam atordoados com a fumaça.

“Como a fumaça causa transtorno na própria saúde humana, acontece as mesmas coisas com os animais, Problemas pulmonares que que vão alastrar e os animais podem sofrer até algum tipo de cegueira de acordo com a exposição às fumaças causadas pelos incêndios florestais”, afirma.

Onça-pintada tem que ser sedada para troca de curativos. — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Muitos animais que conseguem ser salvos apresentam ferimentos tão graves que podem nunca mais voltar à natureza.

O veterinário Thiago Luczinski cuidou dos ferimentos de uma onça-pintada que foi resgatada do incêndio e diz que as lesões foram muito extensas.

“Nós terminamos os curativos dela. As lesões são muito extensas com exposição inclusive de tendão, bastante tecido morto e a gente está tentando fazer uma alternativa de deixar ela com uma botinha. Possivelmente ela vai tirar, mas é melhor mexer na bota do que ficar mexendo nos ferimentos”, afirma.

Por Eunice Ramos

Fonte: G1

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.