Família acha cão morto dentro de açude com ferimentos na cabeça e denuncia vizinho no AC

Família acha cão morto dentro de açude com ferimentos na cabeça e denuncia vizinho no AC

Um caso revoltante de maus-tratos contra animais foi registrado neste domingo (3) na Vila do V, na região do município de Porto Acre, no interior do Acre. A professora Deise de Souza, de 30 anos, encontrou seu cachorro, que atendia pelo nome de ‘Pirata’, morto em um açude na propriedade do vizinho.

A família estava em uma fazenda distante de casa quando soube que seu cão tinha sumido no sábado (2). Foi então que eles resolveram voltar para casa para procurar pelo animal de estimação e encontraram o bichinho morto.

Inicialmente, eles pensaram que o cachorro tinha se afogado, mas, depois perceberam que Pirata tinha várias fraturas na região da cabeça. Deise acredita que o animal foi morto a pauladas e chegou a registrar um boletim de ocorrência no batalhão da Polícia Militar de Porto Acre contra o vizinho.

“Como a gente estava fora de casa, minha mãe tinha ficado de dar comida aos cachorros e, quando foi no sábado [2], ela avisou que ele tinha sumido. Logo a gente voltou pra casa e começamos a procurar. Pedimos então para entrar na propriedade do vizinho e eles permitiram. Foi quando encontramos ele no açude e com um pau ao lado. Tentei puxar ele pensando que tinha se afogado e vi que estava com a cabeça toda quebrada”, contou Deise.

O vizinho relatou à família que o animal tinha sido atacado por porcos que ele cria, mas a professora disse que não acredita nessa versão, já que o animal não tinha ferimentos que pudessem ter sido causados por outro bicho.

“Se fosse um porco, como o vizinho alegou, teria sangue, estaria dilacerado em algum lugar. Me desesperei muito, chamei a polícia e a gente registrou um boletim de ocorrência. Entrei em contato com advogada para nos auxiliar sobre o que vamos fazer, porque é um crime. Tenho um filho que tem TDH, ele se ajoelhava no chão e gritava. É muito triste! Nós criamos esse cachorro desde que ele tinha três meses, ele era muito dócil”, disse.

A Associação Patinha Carente emitiu uma nota de repúdio contra as agressões sofridas pelo animal. Ao G1, a presidente da associação e também advogada, Vanessa Facundes, disse que vai encaminhar denúncia ao Ministério Público do Estado (MP-AC).

“A dona do animal me procurou para ter orientação jurídica do que ela poderia fazer. E, como presidente da associação, fiz uma nota de repúdio e também estou encaminhado a denúncia ao MP. O que vou fazer como advogada é uma ação cível de reparação de dano”, afirmou Vanessa.

Investigação
 
O comandante da PM-AC em Porto Acre, tenente Lucivaldo Brandão, disse que a equipe acompanhou a família e que foi registrado um boletim de ocorrência informativo. Segundo ele, a família foi orientada a procurar a delegacia de polícia para que seja feita perícia e investigação do caso.

“Pelo que foi percebido lá no local, esse animal foi morto a pauladas, mas não podemos confirmar, somente com a perícia mesmo. E esse trabalho é feito pela Polícia Civil. Por isso, orientamos a família a procurar a delegacia”, disse o tenente.

A professora relatou que chegou a procurar a delegacia do município de Porto Acre para fazer a denúncia, mas foi informada de que o local só está fazendo registro de homicídio, estupros e roubos.
 
Isso porque os atendimentos presenciais nas delegacias do estado estão suspensos por conta da pandemia de Covid-19.

A portaria garante apenas atendimento emergenciais nas delegacias em alguns crimes como homicídio e remoções de cadáveres; crimes contra o patrimônio; furto de veículos; crimes sexuais com violência ou grave ameaça; crimes da Lei Maria da Penha; autos de prisão em flagrante ou inquéritos com o acusado preso.

“Hoje [segunda, 4] vim aqui na delegacia da 5ª Regional, em Rio Branco, para me informar se esse decreto também está valendo aqui ou se vou conseguir registrar a ocorrência. A PM me informou que não tem problema demorar para registrar, já que foi atendido e registrado por lá. Mas, mesmo assim tenho essa preocupação”, relatou Deise.

Por Iryá Rodrigues

Fonte: G1

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