Porque ninguém percebe a exploração – Parte 2

Porque ninguém percebe a exploração – Parte 2

Por Ellen Augusta Valer de Freitas

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O condicionamento social e a organização de nossos neurônios, que acabam fazendo ligações fortes durante a vida, é que moldam nossos comportamentos mais básicos. Dessa maneira, embora tenhamos aptidão para mudanças e adaptações, alguns hábitos são extremamente difíceis de mudar.

Daí vem o espanto de notarmos que, em momento algum, a grande maioria das pessoas associa carne e derivados de animais com a origem desses ‘produtos’. Há uma tendência geral à aceitação cotidiana, mesmo por quem trabalha em frigoríficos, matadouros e outras fontes dessas carcaças, que as pessoas preparam com temperos e mil truques para disfarçar o cheiro de sangue e, por que não, de podre.

Quem já trabalhou na indústria alimentícia sabe muito bem das condições de higiene desses locais. Açougues e frigoríficos não precisam esconder a ‘sujeira’, simplesmente por que é normal, é aceitável. Basta passarmos no mercado da cidade para apreciar o fedor e a cara das pessoas, que acham aquilo tudo muito normal.

Quando houve o escândalo do leite contaminado por soda cáustica e outros derivados, não houve nenhum pio. Na semana seguinte, será que alguém parou de tomar leite? Não. Mesmo sendo obviedade que nosso organismo nem sempre tolera o leite, pois ele vem de outro animal e nossa biologia aceita apenas o leite materno, ainda assim todos insistem em beber a famosa ‘fonte de cálcio’, como se não existisse outra fonte de cálcio no mundo. O leite não é nosso. Ele é de outra espécie. Mesmo o leite puro e pasteurizado é apenas um complemento da dieta. Totalmente substituível.

Mas a aceitação da crueldade e dessa forma ‘prática’ de viver apenas mostra que ainda levará um tempo para sermos verdadeiramente ecológicos. Nosso condicionamento determina muitas vezes o autor preferido, o lugar para onde ir no verão e para onde ir no inverno, o time para o qual devemos torcer, mesmo detestando futebol, e a postura que temos que adotar diante dos outros. E quem não faz o que a ‘manada’ determina é considerado excêntrico ou radical.

Pois a reflexão é uma das formas de quebrar essa ditadura silenciosa, imposta pela sociedade, por meio da nossa organização interna. A segunda forma efetiva de quebrar condicionamentos é a atitude. Só a reflexão não vale muita coisa, pois o mundo está cheio de boas reflexões sobre tudo, mas pouca atitude. Somente juntando estas duas formas de agir, mais a coragem, poderemos fazer mudanças importantes não apenas para nós, mas para os animais. Estes que podem ser considerados as vítimas sem defensores, pelo menos em grande parte do mundo.

Fonte: ANDA


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