Voluntária abriga dezenas de animais na própria casa — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Protetora abriga mais de 40 animais abandonados na própria casa em Palmas, TO: ‘Eu não sei fechar os olhos’

Cães e gatos por toda a parte. É assim na casa da voluntária Jane Carla de Oliveira, que abriga mais de 40 animais resgatados das ruas. Apaixonada pelos bichos, a moradora de Palmas disse que “não sabe fechar os olhos” para o abandono e decidiu abrir a residência para cuidar deles. No meio dos pets, tem até um garnisé, o Brad Pinto, que também recebe o carinho da Jane.

VÍDEO: Conheça o trabalho voluntário de pessoas que ajudam animais na capital

Ao chegar à casa da protetora, é possível encontrar gato na calçada, pulando portão, no muro e em cima de tudo quando é lugar. Os cães vão ocupando cada cantinho da casa.

“A gente tem voz e é tão difícil a gente sobreviver, imagina eles sem conseguir falar a mesma língua que a gente porque eles falam a língua deles, mas a gente não consegue entender. E eles na rua, sofrendo desde o descaso com maus tratos. Quando eu vejo que não tem outro jeito, eu trago para cá. Eu não sei fechar os olhos. O que a maioria das pessoas consegue, eu não consigo”.

Cada animal tem uma história. Muitos são deixados na porta da casa da Jane. Aqui recebem carinho e comida. Para cuidar de tantos bichos, ela tira dinheiro do próprio bolso e algumas vezes recebe doações. O item de maior necessidade é a ração.

“Eu tenho ração só até depois de amanhã e eu nem paguei ainda. São 300 e poucos reais. Uma amiga pegou em uma loja agropecuária e trouxe para mim um saco de 25 kg de ração de gato e outro de cachorro. Ração de cachorro aqui em casa são 75 quilos por mês. De gato, são 120 kg”.

Jane brinca ao dizer que essa dedicação não é amor. “É loucura já”.

Fazendo a diferença

Em cada canto de Palmas, tem uma voluntária espalhando amor. A Lilian Castilho e mais quatro mulheres cuidam de vários animais, em um espaço construído só para eles, na capital. Ela trabalha durante o dia, mas à noite reserva o tempo para dar atenção, carinho e comida a eles.

“Fazem quatro anos que eu comecei a cuidar dos animais na rua porque eu não consigo fechar os olhos, porque eu chego na padaria para comprar um pão tem um cachorro com fome. A princípio, eu dava um pedaço de pão de queijo, depois eu resolvi levar ração e depois de alguns meses, ao invés de um eram sete. Aí surgiu a necessidade de castrar, consegui lar para eles e eu percebi que poderia fazer a diferença na vida deles, aí eu viciei”.

Lilian se dedica a cuidar dos animais há quatro anos — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Lilian se dedica a cuidar dos animais há quatro anos — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

O trabalho tem dado resultado. O Jorge, por exemplo, cãozinho que não para quieto, foi resgatado há cerca de um mês. “O Jorge foi resgatado na madrugada, encolhido em um canto, num dia de chuva e ele estava com muito medo, não sabemos se do carro. A gente não tem ideia se ele foi abandonado, se ele fugiu de casa e se perdeu. A gente vê que é um cachorro que não tem traços de ter vivido muito tempo na rua. É muito triste porque um cachorro que é acostumado em uma casa, na rua ele sobrevive muito pouco”.

Para ela, só sente esse amor quem já resgatou algum animal das ruas. “Algumas pessoas acham que é loucura, mas só quem realmente tirou um animal da rua, cuidou, ver esse animal bem cuidado hoje e principalmente o olhar que esses animais têm, o carinho que eles têm pela gente”.

A voluntária explica que para cuidar dos bichos, precisa da ajuda da comunidade. Cada um pode contribuir com coisas simples. “A gente precisa de coisas básicas, como ração, panos, toalhas e lençóis velhos principalmente nesse período de chuva. Outra necessidade que a gente tem que talvez não seja difícil para as pessoas, são as sacolinhas de supermercado para a gente colher cocô e abraçadores, pessoas que têm um tempo do seu dia, que não seja durante a semana, pelo menos no fim de semana, de poder vir e dar um carinho para esses animais”, destacou Lilian.

Milhares de abandonados

Segundo um levantamento do Instituto Pet Brasil, divulgado em agosto, mais de 170 mil animais estão sob os cuidados de 370 ONGs e grupos que atuam na área de proteção animal em todo o Brasil.

Do total, 169 entidades estão no Sudeste, tutelando mais de 78 mil animais. A maior parte dos animais é formada por cachorros (96%) e apenas uma minoria, gatos (4%).

O Instituto Pet Brasil levou mais de seis meses para mapear as organizações em todo o país. As ONGs e os protetores forneceram informações sobre suas capacidades de acolhimento e o acolhimento real no momento da pesquisa.

Moradora de Palmas resgata animais que muita gente rejeitaria — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Moradora de Palmas resgata animais que muita gente rejeitaria — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

A voluntária Irisnaide Pereira é uma das apaixonadas que tem prazer em resgatar animais que muita gente rejeita. Ela abriu a própria casa para ampará-los. “Eu me sensibilizo em ver os animais faltando um pedaço, exatamente porque eu sei que ninguém vai resgatá-lo por isso. Então, eu sei que eles não vão ter ninguém, sou eu mesmo”.

Na casa dela são 17. Para ajudar com as despesas, ela está organizando uma feijoada. “A gente está contando que vai vender todos os ingressos, é uma ótima feijoada, acho que é a melhor, tem vegana também. E é para arrecadar, a gente está com dívidas altíssimas nas clínicas e precisa ser paga. E medicação, ração a gente precisa muito porque essa boquinhas comem”.

Fonte: G1

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