Cachorro de mulher morta após levar coronhada de PM acompanha enterro na Zona Oeste do Rio

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Luis Carlos, o vira-lata de Marisa, após o enterro no cemitério do Pechincha. (Foto: Rafael Soares)
Luis Carlos, o vira-lata de Marisa, após o enterro no cemitério do Pechincha. (Foto: Rafael Soares)

Foi sepultado há pouco no cemitério do Pechincha, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, o corpo de Marisa de Carvalho Nóbrega, de 48 anos, que morreu na última segunda-feira, no Hospital municipal Salgado Filho, no Méier. Na madrugada de domingo, segundo testemunhas, ela levou uma coronhada na cabeça de um policial do Bope, durante uma discussão na Cidade de Deus, na Zona Oeste, onde morava. A 32ª DP (Taquara) e a Corregedoria da PM apuram o fato.

Cerca de cem pessoas, entre parentes e amigos de Marisa, acompanharam o enterro. O cachorro de estimação de Marisa, o vira-lata Luis Carlos, entrou por conta própria no ônibus que levava os moradores da Cidade de Deus para o cemitério. Durante o enterro, o animal ficou todo o tempo aos pés de caixão da dona. Só aceitou ir embora depois que o corpo de Marisa foi sepultado. Segundo parentes da vítima, Luis Carlos está há dez anos com a família.

Parentes e amigos de Marisa carregam o caixão, durante o enterro (Foto: Domingos Peixoto / O Globo)
Parentes e amigos de Marisa carregam o caixão, durante o enterro (Foto: Domingos Peixoto / O Globo)

A 32ª DP investiga, além da agressão que levou à morte de Marisa, as denúncias de agressão a dois filhos da vítima. Ambos foram ao Instituto Médico-Legal (IML), ontem, fazer um exame de corpo de delito.

‘Bate nela, bate nela!’

Antes de dar uma coronhada em Marisa, um policial do Batalhão de Operações Especiais (Bope) mandou a mulher bater na própria filha. O relato foi feito na 32ª DP por uma testemunha do crime. Segundo o morador da favela, que pediu para não ser identificado por medo de represálias, pouco após os dois filhos de Marisa serem abordados pelos policiais, a mulher foi acordada em casa e foi até o local, na localidade conhecida como Pantanal. Quando chegou, ainda com roupa de dormir, os agentes afirmaram que seus filhos estavam com um radiocomunicador e ordenaram que ela batesse na filha. Marisa se negou e foi agredida com uma coronhada na nuca.

Marisa morreu dois dias depois da coronhada Marisa morreu dois dias depois da coronhada (Foto: Reprodução)
Marisa morreu dois dias depois da coronhada Marisa morreu dois dias depois da coronhada (Foto: Reprodução)

— Eles gritaram: “Bate nela, bate nela”, apontando para a filha. A menina disse que não estava com o rádio e ela não bateu. Então, chamaram ela de piranha e bateram nela com o fuzil — afirmou a testemunha ao EXTRA.

Segundo parentes, os policiais do Bope desconfiaram do filho de Marisa, um adolescente de 17 anos, porque o consideram muito bem vestido, o que poderia, para eles, ser um indício de ligação com o tráfico. Na ocasião, ele vestia um casaco e um boné de marca.

A denúncia de que Marisa morreu em decorrência de uma agressão policial circulou em redes sociais e acabou levando a família passar por mais um drama. Quando se preparavam para se despedir da moradora da Cidade de Deus, nesta terça-feira, parentes e amigos foram surpreendidos pela presença de policiais da 32ª DP no Cemitério do Pechincha, em Jacarepaguá.

Eles impediram a realização do enterro de Marisa. A polícia quer que o corpo passe por um exame cadavérico no Instituto Médico-Legal (IML) para averiguar se ela morreu em decorrência da agressão do policial do Bope. A delegacia abriu um inquérito para investigar o caso. A Corregedoria da PM já recebeu a informação e também está apurando a denúncia.

Por Rafael Soares

Fonte: Extra

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