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Veganismo: a nova desobediência civil

Por Ellen Augusta Valer de Freitas

A compaixão, aliada a leituras e muita reflexão, é o que faz um vegano, pelo menos de um modo geral. Nem sempre suas leituras são sobre o tema ‘animais’, muitas vezes vêm de textos e livros que falam de temas como exploração, escravidão, humanidade. Em um determinado momento, ‘cai a ficha’ para a exploração animal, e o mundo muda de forma espantosa aos seus olhos.

Se de fato, até tempos atrás, o sujeito comum participava de um jogo de poder, onde os mais fortes dominam e utilizam os mais fracos como objetos, um dia chega o momento de sair deste cenário e procurar se informar sobre como amenizar os impactos diversos que a criação de animais provoca na natureza, nos próprios animais e na saúde humana, mental e física.

A criação de animais para consumo, a exploração intensiva de tudo o que vem deles e o fato de serem dotados de senciência mostram que a humanidade está longe do que consideramos como civilidade.

A maior parte do que se observa nas civilizações é um comportamento conservador, e toda mudança na humanidade demora muito tempo para ser aceita pela maioria de seus membros. Ainda podemos ver que certas tradições, como o machismo – para dar um exemplo – ainda permanecem mesmo depois de muito se discutir a respeito. Ainda existem países inteiros que vivem na Idade Média em termos destas e outras tradições.

O vegano surge como um desobediente ao status quo e é visto assim pelos seus companheiros de jornada. Um ser que se recusa a participar dos banquetes da vida, diria alguns. Alguém que não come, podem afirmar outros.

O fato é que incomoda muita gente adotar uma atitude diferente, de acordo com princípios morais.

Se dizemos que não comemos tal alimento, pois nossa religião, partido político, confraria ou seja lá o que for não permite, todos respiram aliviados. Se nosso motivo é um princípio, se é pelos animais, as pessoas se sentem incomodadas.

Esse incômodo tanto pode ser pela obviedade de que matar animais ou comer animais é perturbador, como por ver todo o seu sistema de vida desafiado.

Então há o preconceito e as acusações sem fundamento que todos que um dia resolveram mudar, já tiveram que ouvir. Já sofri todo o tipo de preconceito, inclusive de ser acusada de intolerante. Esses são os sinais que muitas pessoas projetam nos veganos. Se estamos empolgados com um assunto, participando de um seminário, lendo livros a respeito, somos ‘radicais’. Todos nos apaixonamos pelas coisas que descobrimos e somos radicais naquilo que acreditamos. Para esclarecimento, a palavra radical significa ‘de raiz’.

É viável continuar usando animais como alimentos, sabendo que a pecuária é um dos principais causadores do efeito estufa na Terra, em virtude da produção de metano (gás muito mais tóxico que o CO2)? E sabendo que a criação de animais envolve gastos absurdos de água e poluição desta? E saber que a grande parte das queimadas na Amazônia e outras florestas importantes, como as da Costa Rica, tem basicamente o objetivo de cultivar soja e cereais, para alimentar o gado?

É ainda viável que continuemos a provocar sofrimento, mesmo sabendo que peixes, gado, porcos e aves sofrem demasiadamente desde seu nascimento, nas atuais e crescentes indústrias de alimentos, se hoje somos uma espécie que tem à disposição uma quantidade imensa de vegetais ricos e saborosos, alternativas diversas para uma alimentação mais saudável? Toda a cadeia produtiva de animais passa pelo sofrimento, para obter leite e ovos há sofrimento. Mesmo as opções alternativas passam pela exploração até a morte, o que nunca é justificável. Ninguém quer morrer, mesmo ouvindo música clássica.

Temos, hoje, uma responsabilidade moral, que é ser vegano. Quem realmente quer contribuir para um mundo melhor, mais saudável e mais ecológico, deve pensar a respeito e agir. Se queremos ajudar a natureza e a humanidade, a opção é esta. Não faz sentido arrogar-se defensor da natureza, em uma mesa onde são servidos animais mortos – pois o caminho por onde estes animais passaram está repleto de dor, poluição, devastação e exploração. Há muitas formas de poluição no mundo, pois é inerente aos seres vivos causarem impactos por onde andam. Mas matar criaturas sencientes é moralmente inaceitável no mundo de hoje, pois temos tecnologias para não fazê-lo, e estes atos estão destruindo o planeta e a saúde humana.

O que antigamente era uma atitude de alguns ‘malucos’, hoje se torna a ferramenta que viabiliza um mundo mais econômico, ecológico e mais humano. Humanidade essa que se traduz como ser compassivo com os animais, entender sua dor e sofrimento e, diante de nossas tecnologias e múltiplas formas de obter alimentos, deixá-los em paz.

Fonte: ANDA


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