‘Livre de crueldade’, a migalha de um direito que deve ser integral, à vida

Por Dr. phil. Sônia T. Felipe  

Sobre a expressão “cruelty free” (livre de crueldade) ainda tenho o que escrever. Aqui antecipo apenas que essa expressão não quer dizer que o produto seja vegan, ou, usando o conceito ético, abolicionista.

Cruelty free está longe de ser um produto sem uso de ingredientes de origem animal, sem exploração do animal, sem morte do animal. Pense bem e profundamente no que isso significa. Esse é outro nó no rolo de arame farpado da luta abolicionista.

Por isso que conceitos bem-estaristas nunca nos levarão à abolição animalista. Se pensamos com meios-termos, temos um resultado pífio, sempre.

E os animais estão cansados de afirmarmos que é melhor que eles tenham nossas migalhas, do que nada. Não se trata de dar migalhas, fazer miseráveis concessões a eles. Eles têm tanto direito ao direito integral à vida e à liberdade que seu tipo específico de vida requer, quanto nós o temos.

Proibir os mercadores de açoitar os afrodescendentes no Pelourinho jamais levou à libertação desses seres humanos. Não vamos iludir as pessoas de que nossas migalhas para os animais já lhes bastam.

Quem se contenta com migalhas, que as aplique sobre si mesmo, e então me diga se está feliz com a migalha que merece. Os animais não merecem migalhas.

Merecem tudo. Como nós. E já nos falta muito perdão com tanta lei faz de conta que consideramos uma “maravilha” para eles.

Queria ver as pessoas no lugar dos animais para medir seu “grau de satisfação” com leis meia-boca, caso elas fossem inventadas por seres com poderes e artimanhas para nos pegar e submeter a testes tóxicos, dolorosos e letais de todo tipo. É muito fácil se achar bonzinho com tamanho cinismo e mesquinharia. Vamos parar de afirmar que é “melhor a migalha” do que “nada”? 


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