‘É traficante de animais e não mero colecionador’, diz PCDF sobre jovem picado por Naja

‘É traficante de animais e não mero colecionador’, diz PCDF sobre jovem picado por Naja
Pedro Krambeck foi preso pela Polícia Civil do DF - Rafaela Felicciano/Metrópoles

O Metrópoles teve acesso, com exclusividade, a novos documentos do inquérito que faz parte das investigações sobre o estudante de medicina veterinária Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkuhl. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) constatou crimes de maus-tratos, posse ilegal de animais silvestres, associação criminosa e contra a saúde pública. Para a corporação, “Pedro Henrique é traficante de animais silvestres e não mero colecionador”.

Investigadores da 14ª Delegacia de Polícia (Gama), responsáveis pelo caso, detalham que as cobras eram mantidas em caixas empilhadas à vista de qualquer visitante, e que a criação de camundongos era realizada na área de serviço da residência em que Pedro mora com a mãe, Rose Meire, e o padrasto, o coronel da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) Clovis Eduardo Condi. O casal também é suspeito de envolvimento no tráfico de animais.

Segundo a PCDF, a partir dos elementos colhidos durante as investigações, foi possível verificar que, pela grande quantidade de animais apreendidos, “Pedro Henrique é traficante de animais silvestres e não mero colecionador.”

A afirmação é corroborada por mensagens de texto trocadas entre o jovem e a mãe, Rose Meire. Na ocasião, Pedro passava pela cidade de Ibotirama (BA) e trazia consigo uma cobra. Ele também mantinha contato com outros traficantes de animais.

“Elementos de informação coligidos, como fotografias, imagens e mensagens de texto trocadas entre ela e Pedro Henrique, demonstram que ela (Rose Meire) não somente tinha ciência, como também auxiliava nos cuidados com os animais, tendo, inclusive, mensagens, relatando a Pedro Henrique a fuga de uma das cobras, além de comentários acerca das condições de uma das espécimes que havia colocado dezesseis ovos”, diz um trecho do relatório ao qual o Metrópoles teve acesso.

Ele estava no apartamento onde mora com a mãe e o padrasto, no Guará. – Rafaela Felicciano/Metrópoles

Com relação ao coronel Clovis Eduardo Condi, da PMDF, embora também ele já tenha negado que tivesse conhecimento das serpentes, há elementos que ligam ele aos crimes. Os investigadores tiveram acesso a imagens do elevador do condomínio residencial da família e da casa de Gabriel Ribeiro, um amigo de Pedro que também foi preso.

As gravações mostram o militar ajudando a esconder cobras clandestinas. Condi, acompanhado por seu filho menor, retirou as serpentes do interior da residência da família, e mandou, juntamente com Rose Meire, que Gabriel “desse sumiço” nos animais, os quais foram localizados em um haras de Planaltina. Gabriel contou com o auxílio de uma terceira pessoa, uma mulher.

Prisão

A 14ª Delegacia de Polícia (Gama) prendeu Pedro Krambeck , na manhã desta quarta-feira (29/7). O mandado de prisão foi cumprido no Guará, no apartamento onde ele mora.

O estudante, de 22 anos, foi picado por uma cobra Naja kaouthia que criava como animal de estimação, apesar de a serpente não ser natural de nenhum habitat brasileiro. A suspeita é que o animal tenha sido trazido para o Distrito Federal a partir de uma licença irregular, emitida por uma servidora do próprio Ibama, que já foi afastada do cargo.

O mandado de prisão temporária é cumprido no âmbito da quarta fase da Operação Snake e teve apoio de uma equipe do Instituto de Medicina Legal (IML) da PCDF.

Um perito médico-legista da PCDF acompanha a diligência para verificar as condições de saúde do jovem, por conta da notícia de que ele está com a saúde supostamente fragilizada em razão de ter recebido alta da unidade de terapia intensiva (UTI) há poucos dias, onde esteve em tratamento para se curar das consequências oriundas do veneno da cobra.

A prisão temporária, com prazo inicial de cinco dias, foi decretada pela 1ª Vara Criminal do Gama, após representação da PCDF. Os investigadores constataram indícios de que o alvo, juntamente com outros investigados, estaria envolvido em uma associação criminosa responsável, entre outras condutas, pela destruição das provas relacionadas aos crimes ambientais.

Memória

Pedro foi picado pela Naja no dia 7 de julho. Levado ao Hospital Maria Auxiliadora, no Gama, chegou a ficar internado, em coma.

Assim que foi picado pela serpente, o amigo Gabriel Ribeiro, que está preso, iniciou uma peregrinação a fim de esconder os animais clandestinos que Pedro criava.

A Naja foi achada perto do shopping Pier 21. Outras 16 serpentes, em uma chácara em Planaltina.

O estudante de veterinária foi picado pela Naja que criava ilegalmente. – Foto: Reprodução
O rapaz chegou a ficar em coma após a picada da serpente. – Reprodução
Nas redes sociais, ele ostentava fotos com diversos tipos de animais silvestres. – Arquivo/Metrópoles
A polícia investiga a suspeita de que o rapaz tenha envolvimento com o tráfico de animais no DF. – Arquivo/Metrópoles
Pedro foi detido no apartamento onde mora, no Guará. – Arquivo/Metrópoles
Policiais na casa de Pedro na manhã desta quarta-feira (29/07) – Rafaela Felicciano/Metrópoles
No Brasil, não há Najas, logo, o soro que combate o veneno desse tipo de serpente é raro. – Material Cedido ao Metrópoles
Ela costuma viver em regiões da África e da Ásia. – Material Cedido ao Metrópoles
A Naja não é uma cobra típica do Brasil. – Foto: Reprodução
Zoológico de Brasília fez ensaio fotográfico com cobra que picou estudante. – Ivan Mattos/Zoológico de Brasília/Reprodução
Ivan Mattos/Zoológico de Brasília/Reprodução
A serpente não é natural de nenhum habitat brasileiro. – Ivan Mattos/Zoológico de Brasília/Reprodução
Ivan Mattos/ Zoológico de Brasília
A Naja ficará no zoo até que decidam se ela será transferida para outro zoológico ou para um centro de pesquisa. – Ivan Mattos/Zoológico de Brasília/Reprodução
Ivan Mattos/ Zoológico de Brasília
O animal ganhou espaço próprio para sua espécie Ivan Mattos/Zoológico de Brasília/Reprodução
A suspeita da Polícia Civil é que as serpentes tenham sido vítimas de tráfico de animal silvestre. – Ivan Mattos/ Zoológico de Brasília

Por Mirelle Pinheiro

Fonte: Metrópoles

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