Macaca Chica é devolvida para mata após retirada de latinha de alumínio

Macaca Chica é devolvida para mata após retirada de latinha de alumínio

Chegou ao fim a saga da macaquinha Chica, que por mais de um mês ficou com uma latinha de alumínio presa em uma das mãos. Depois de inúmeras tentativas de captura, equipes da Policia Ambiental e Vigilância Sanitária obtiveram sucesso na tarde de sexta-feira (3). Na manhã de ontem (4), após a retirada da lata e passar por exames, o animal foi devolvido a reserva de mata junto aos bairros Primeiro de Maio e 28 de Outubro, em Umuarama.

Segundo a Polícia Ambiental, a maior dificuldade para a captura do animal foi a falta de colaboração da população, que apesar de inúmeros apelos por parte dos ambientalistas, continuam levando comida diariamente aos animais. O maior problema, é que a maior parte dos alimentos são industrializados e inadequados para a boa saúde do bando de macacos que vivem no local. Estima-se que a população esteja entre 50 macacos.

Segundo o comandante da 3ª Companhia do Batalhão da Polícia Ambiental, capitão Luciano José Buski, o problema enfrentado pela macaquinha de forma indireta foi causada pelo homem, jogando lixo em área de mata.

“O ser humano que deposita lixo na floresta é a causa desse animal estar com esta lata na mão. É o mesmo princípio de não jogar lixo na rua porque vai para o bueiro e provoca enchentes. Tem que haver essa conscientização por parte das pessoas”, ressaltou o comandante.

Durante 2016 na área de atuação da 3ª Companhia, a Polícia Ambiental realizou a captura de mais de 700 animais selvagens na área de atuação, que engloba Umuarama, Cianorte, Campo Mourão e Maringá.

Outro problema que pode ser causado com a convivência íntima entre animais selvagens e o homem é que os macacos funcionam como um ‘reservatório’ para algumas doenças bacterinas, virais e parasitárias e podem contaminar o homem com elas. Exemplos são a tuberculose, a hanseníase, febre hemorrágica, hapatites A,B,C,D e E, dengue e febre amarela, além de doenças gastrointestinais.

“O macaco vai defecar e pode mexer nestas fezes ou passar a mão no ânus e passar essa mão no corpo dele. Se a pessoa entra em contato com esse animal, deixa o macaco passar a mão no seu rosto, em objetos em sua casa, por exemplo, tudo fica contaminado. Se essa pessoa, por exemplo, pegar o mesmo objeto e colocar a mão na boca, pode estar contraindo doenças dessa forma”, alertou o titular da disciplina de Manejo de Animais Selvagens do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Maringá (UEM) professor doutor Leandro Martins.

Apesar disso, Martins faz ressalva quanto a febre amarela. Segundo ele o macaco não é um vilão e sim um sentinela para a presença da doença. “O macaco, igual ao homem, vai transmitir a doença se for picado por um mosquito contaminado e depois contaminar um mosquito que vai sair picando as pessoas. Mas como ele é mais frágil do que o homem, a doença vai se manifestar mais rapidamente e com mais força no animal, indicando para nós que a doença esta presente. Mas o animal vai ficar doente e vai morrer”, explicou o professor.

Fonte: Ilustrado 

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