Vereador de SC sugere ‘matança’ de capivaras para conter aumento populacional da espécie

Os vereadores de Itajaí, no Vale, aprovaram por unanimidade um requerimento para solicitar a órgãos ambientais informações sobre possível proliferação de capivaras em Santa Catarina. Durante a sessão na noite de terça-feira (29), defenderam por que eram favoráveis à aprovação do documento. O vereador Vanderley Dalmolin (MDB) inclusive afirmou que era favorável à “matança” do animal.

“A gente não consegue plantar mais, tem que ser tudo com cerca elétrica. Como no Rio Grande do Sul tem problema de invasão do javali, aqui podia trazer um projeto também para reduzida da capivara, sou a favor sim da matança. Desculpa o que estou falando para vocês aí, mas também está exagerado. Quer ver capivara tomando banho de piscina, vai lá na casa do meu pai, à noite elas vão tomar banho de piscina. Acho que tem que dar um fim nisso daí sim, um basta. Não matar tudo, porque tem que ter um pouco, mas redução, sim. Acredito que vai melhorar porque invasão de carrapato é grande”, disse o vereador durante a sessão.

O requerimento nº 240/2019 foi proposto pelo vereador Paulinho Amândio (PDT) e aprovado pelos 21 parlamentares da cidade. As justificativas apresentadas foram “os riscos que a espécie traz à saúde dos munícipes por ser hospedeiro do carrapato-estrela, transmissor da febre maculosa, situação em que é relatado que mais da metade dos casos de infecção levam as pessoas a óbito”, consta o documento.

O vereador Vanderley ainda explica que desde 2009 foram protocolados requerimentos semelhantes, mas sempre só com pedidos de informações, e que pretende levar para a Câmara alguma proposta de lei semelhante a que existe em relação ao controle populacional de javalis.

“No Centro elas até são cartão postal, mas no interior os agricultores sofrem, não conseguem plantar que elas destroem tudo. Não quero exterminar, eu defendo os animais, mas tem que ter um abate, uma castração para reduzir. Vou correr atrás do Ima (Instituto do Meio Ambiente de SC), do instituto ambiental de Itajaí para ver o que é possível, propor essa lei de castração ou tirar do habitat. No futuro , quando uma capivara pegar uma família, vão ver aquele vereador estava certo”, disse o vereador ao G1.

A Câmara deve encaminhar ao Instituto Cidade Sustentável (ICS), ao prefeito Volnei Morastoni (MDB), ao Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) solicitando informações sobre o controle populacional do roedor.

Capivaras e carrapatos

O IMA informou em nota que vai aguardar o recebimento do requerimento para análise técnica. “A capivara não é espécie ameaçada e nem classificada como Deficiente de Dados, por isso não há necessidade de estudos para sua conservação. E é espécie nativa em boa parte do território nacional”, disse em nota.

A Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive-SC) afirmou em nota que a febre maculosa brasileira é uma doença causada por uma bactéria do gênero Rickettsia rickettsi, transmitida por carrapatos do gênero Amblyomma. Esses animais vivem na superfície dos corpos de bichos, como cavalos, bois, cães, capivaras, gambás e até pessoas.

Segundo a Dive-SC, em 2019 foram confirmados 25 casos de febre maculosa, um deles em Itajaí. No ano passado, o estado teve 46 casos confirmados da doença, três deles em Itajaí. Como medidas de proteção, a diretoria recomenda:

  • evitar áreas infestadas pelo carrapato. Se isso não foi possível, usar calças e camisas de manga comprida de cor clara para facilitar a visualização do carrapato na roupa
  • após estar em algum ambiente infestado, a pessoa deve inspecionar o corpo para verificar a presença do carrapato. Caso encontre, o animal deve ser retirado com pinça, e não esmagado
  • aparar gramados 

Javalis

Exemplar de javali-europeu, animal invasor que ameaça a biodiversidade brasileira. — Foto: Divulgação/Ibama

No caso dos javalis, a invasão da espécie está causando prejuízos para agricultores e ameaça também a suinocultura em Santa Catarina. Estima-se que existam cerca de 200 mil javalis no estado. O cenário no interior catarinense é o exemplo mais drástico do estrago causado pelo animal que já está presente em pelo menos 563 municípios brasileiros.

Atualmente, o javali é o único animal cuja caça é permitida no país. Em 25 de março, uma nova portaria do Ibama regulamentou o uso de cães para o manejo da espécie e informatizou o sistema de autorizações para caçadores. As medidas são vistas com bons olhos por produtores rurais e pesquisadores, que reclamavam da burocracia do sistema antigo.

Fonte: G1


Nota do Olhar Animal: A ONG Olhar Animal enviou para os 21 vereadores de Itajaí (SC) uma mensagem com a íntegra do artigo ‘Manejo não letal de capivaras’, de autoria do biólogo Sérgio Greif, buscando conscientizar os vereadores sobre a ineficácia do método de caça para controle populacional, além claro de indicarmos o problema ético e o atraso civilizacional que ele representa. Aliás, o mesmo vale para os javalis.

Manejo não letal de capivaras

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