Resgates falsos e mamadeira: macacos são vítimas de crueldade disfarçada de fofura na web, alerta relatório

Resgates falsos e mamadeira: macacos são vítimas de crueldade disfarçada de fofura na web, alerta relatório
Estudo analisou posts de Facebook, Instagram, TikTok e YouTube mostrando macacos mantidos como animais de estimação. — Foto: GettyImages

Cenas com animais nas redes sociais podem parecer “fofas” em um primeiro momento, mas principalmente no caso de espécies silvestres, tendem a esconder casos de tráfico e maus tratos. É o que destaca a pesquisa mundial “A Crueldade Que Você Não Vê”, que pesquisou durante um ano e meio o conteúdo de 1.226 links de Facebook, Instagram, TikTok e YouTube, mostrando macacos mantidos como animais de estimação.

Unidos, estes links de conteúdo geraram um tráfego de mais de 12 bilhões de visualizações na internet, afirma o estudo, liderado pela Proteção Animal Mundial em coalizão com mais de 20 organizações. Plataformas digitais ouvidas por Um Só Planeta afirmaram que combatem conteúdos que promovam maus tratos ou tráfico de animais.

No Brasil, a exposição indevida de animais na internet, sejam silvestres ou mesmo cães e gatos, vem sendo alvo de investigações cibernéticas do Ibama, que monitora anúncios nas redes para combater o tráfico de espécies.

No caso dos macacos, há vários tipos de conteúdo que exploram a imagem destes animais, muitas vezes em vídeos de falsos resgates, onde o autor coloca propositalmente os primatas em situações perigosas, presos a objetos, ou ameaçados por animais. Em muitos casos, são bebês raptados dos braços das mães há poucos dias.

Situações que tratam macacos como pessoas, usando roupas ou fraldas, tomando mamadeira, também são comuns e não podem ser vistas como entretenimento, afirma o relatório. Especialmente para macaquinhos recém-nascidos, as roupas servem para impedir movimentos indesejados, como meias colocadas nas mãos para impedir que os filhotes chupem os dedos, hábito comum resultado da separação precoce das mães.

Vídeos de banhos em macacos também são considerados abuso. “Lidar com macacos bebês é estressante e resulta em medo e ansiedade. A partir de uma perspectiva médica, lavar repetidamente um bebê macaco usando qualquer forma de sabão removerá os óleos essenciais do pelo e pele do bebê, resultando no potencial de infecção por microrganismos ou infestação por parasitas”, alerta o veterinário Nedim Buyukmihci, da organização Action for Primates, participante do relatório.

Em um vídeo encontrado no YouTube com mais de quatro milhões de visualizações, um macaco é visto com uma roupa parecida com uniforme escolar, incluindo uma mochila. Quando ele anda, é possível perceber a dificuldade nos passos. A legenda dizia “primeiro dia de aula do macaco”.

A plataforma afirmou ao Um Só Planeta que conta com “uma combinação de sistemas inteligentes, revisores humanos e denúncias de usuários para identificar material suspeito”. O YouTube afirma que não permite “material que incentive as pessoas a cometerem atos violentos. Isso inclui conteúdo que mostra abuso animal, como rinhas, conteúdo que exalte ou promova negligência, maus-tratos ou danos aos animais, que simule o resgate de animais e que coloque esses animais em situações perigosas”.

A Meta, empresa dona do Facebook, afirmou à reportagem que proíbe conteúdo sobre compra, venda, comércio, doação ou oferta de espécies em vida selvagem, e remove tais conteúdos quando tomamos conhecimento deles em nossas plataformas. “Usamos uma combinação de tecnologia e revisão humana para aplicar essas regras, e cooperamos com autoridades locais nessa área”, afirmou a plataforma em nota.

Fonte: Um Só Planeta