França vai autorizar massacre de lobos sob pretexto de conter reprodução acelerada

França vai autorizar massacre de lobos sob pretexto de conter reprodução acelerada

Uma reunião do Comitê Nacional do Lobo nesta terça-feira (28) vai confirmar um anúncio já feito pelo presidente Emmanuel Macron de autorizar um aumento no abate de lobos no território francês em 2019. A medida visa controlar a proliferação da espécie selvagem protegida por lei.

No ano passado, foram abatidos no país 51 lobos, ou seja, 10% do total de número de lobos recenseados na França, que foi de 430. A estatística inclui uma margem de 2%, informa o jornal “Le Figaro”.

Devido ao crescimento mais rápido do que o previsto deste predador selvagem, mas também diante do aumento de ataques visando rebanhos de ovelhas e incidentes no meio urbano, o presidente Macron deu a entender no último mês de março que poderia autorizar o aumento do abate de lobos. A promessa foi feita durante uma das reuniões do Grande Debate Nacional com moradores e prefeitos da região sul do país.

Segundo o jornal, o anúncio oficial da autorização para o aumento do abate, de 10% para 17% da população total, deverá ser feito na reunião desta terça-feira em Lyon do Comitê Nacional do Lobo. O órgão é formado por representantes das associações de criadores, de ONGs defesa do meio ambiente, do Ministério da Agricultura e da Transição Ecológica e representantes da Segurança Pública. O prazo para o abate vai ser antecipado de 1° de setembro para 1° de julho, afirma a reportagem.

As últimas estatísticas, relata “Le Figaro”, mostram que a população de lobos aumenta na França mais rapidamente que o imaginado. Esta espécie de animal selvagem reapareceu em 1992 em um parque nacional do sudeste do país e desde então se espalha por várias regiões. Já está presente em pelo menos 40 departamentos, segundo o governo.

O limite para viabilizar essa espécie foi fixado pelo Museu de História Natural em 500 lobos adultos até 2023, mas essa previsão já foi ultrapassada este ano, informa o diário. O número exato de lobos na França deverá ser divulgado no dia 7 de junho pelo Escritório Nacional da Caça e da Fauna Selvagem.

Crescimento controlado

O aumento do abate visa manter um crescimento controlado da espécie, que é protegida de maneira estrita em toda a Europa. Para o jornal “Le Parisien”, a decisão é um aceno para os ecologistas e defensores dos animais, mas a situação é preocupante para os criadores de ovelhas. No ano passado, cerca de 12.800 fêmeas e filhotes foram devorados por lobos e este ano já foram registradas 1.400 mortes de animais.

O diário parisiense lembra que a lei autorizava até 12% de tiros em lobos em caso de ataques frequentes contra os rebanhos, mas diante da situação, há consenso para ampliar o abate até em 17% da população.

Os criadores de rebanhos estão cada vez mais usando as medidas de proteção definidas pelo governo, que paga até 80% em medidas como a adoção de redes de proteção, adoção de cães de defesa e até contratação de pessoal.

O presidente da Federação Nacional de Ovinos disse ao “Le Parisien” que as indenizações ao criadores de rebanhos já custaram 30 milhões de euros aos cofres públicos.

Nem todas as ONGs de defesa dos animais estão de acordo com o aumento do abate. A Associação França Natureza Meio Ambiente lamenta que o governo enfrente o problema com o aumento de tiros contra os lobos. Desde o início do ano, cerca de 30 animais já foram abatidos e o número de ataques contra a espécie deve aumentar com a chegada do verão, afirma “Le Parisien”.

A Federação que representa 20 criadores na França pede autorização para realizar tiros de defesa, ou seja, sem visar o animal mas para afastá-lo dos rebanhos. Eles pedem ainda que a Convenção de Berna, adota em 1979 para proteger os lobos, seja flexibilizada. Ao invés de a espécie ser “super protegida”, deveria ser apenas “protegida”, o que poderia aliviar as regras para melhor gerenciar a população de lobos no território francês.

Fonte: G1


Nota do Olhar Animal: Lobos na França, javalis no Brasil e tantos outros animais aqui e pelo mundo são massacrados por conta do especismo, da negligência, da incompetência, do egoísmo humano. A solução mais rasa, mais incompetente e menos justa é a matança, sempre foi. Mas é a mais frequente.

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