Moradores tentam impedir abate de capivaras em condomínio em Itatiba, SP

Moradores tentam impedir abate de capivaras em condomínio em Itatiba, SP

Moradores do condomínio Ville de Chamonix, em Itatiba, se mobilizaram para tentar evitar o abate de cerca de 50 capivaras que vivem no entorno das lagoas na unidade. No último dia 6, o CBRN (Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais), órgão ligado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente, emitiu a autorização para a eutanásia. 

A decisão de matar as capivaras que vivem no condomínio foi tomada em assembleia realizada entre os moradores em julho do ano passado, a após a morte de um morador por febre maculosa – a doença é transmitida pelo carrapato-estrela, que se hospeda nas capivaras. 

Parte dos moradores alega, no entanto, que o intuito da assembleia – de decidir pelo abate das capivaras – não foi divulgado com antecedência e que poucos condôminos estiveram presentes. 

De acordo com a ata da assembleia, 56 moradores participaram da reunião (o condomínio tem cerca de 400 casas). Apenas um votou contra a morte das capivaras. 

O caso ganhou repercussão depois que uma moradora procurou a ONG União Protetora dos Animais. A ONG defende uma via alternativa para solucionar o problema – a esterilização dos animais e sua manutenção no espaço, com o fechamento de acessos para impedir a chegada de novos animais.  

CORRIDA CONTRA O TEMPO

Para isso, uma nova assembleia, extraordinária, teria que ser realizada, diante do pedido de ao menos 128 moradores (o dobro do quórum da assembleia anterior). “Até o momento temos 124 assinaturas. Só faltam quatro”, diz Cesar Rocha, presidente da ONG. 

Segundo ele, ainda não há data definida para o abate, mas com a autorização concedida, a questão virou uma corrida contra o tempo. O condomínio inclusive contratou uma empresa para matar as capivaras e fazer a destinação dos animais mortos, ao preço de R$ 90 mil, com o custo rateado entre todos os condôminos. 

Cesar Rocha também afirmou que o abate não é a melhor solução. “Temos exemplos em que a eutanásia foi realizada e os animais voltaram. Como no Lago do Café, em Campinas. Além disso, matar os animais não garante que os carrapatos serão exterminados”, afirmou. 

A reportagem tentou contato com a administração do condomínio, mas não conseguiu localizar nenhum responsável até a publicação deste texto.

Fonte: A Cidade ON

Nota do Olhar Animal: Extermínio não é “eutanásia”. A intenção de matar as capivaras revela a incompetência técnica e a ética rasa das autoridades envolvidas que estão permitindo esta ação covarde.

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