Foto: Divulgação Hasta Comunicação

Falta de pronto-atendimento a animais atropelados em rodovias preocupa pesquisadores em MS

A impossibilidade da Polícia Militar Ambiental de Mato Grosso do Sul em resgatar um veado-campeiro atropelado no dia 27 de abril deste ano, causou preocupação em coordenadores de projetos de conservação ambiental do estado. A rodovia MS-040, dizem as entidades, é uma das que mais registra acidentes envolvendo animais.

Na ocasião do acidente, um fazendeiro da rodovia MS-040 (trecho entre os municípios de Campo Grande e Santa Rita do Pardo) avisou a equipe veterinária do ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres) que o veado estava vivo.

Diante da impossibilidade da PMA atender a ocorrência, outros profissionais foram acionados, como veterinários e biólogos, que trabalham em projetos de conservação do tamanduá-bandeira (Projeto Bandeiras e Rodovias / ICAS) e anta-brasileira (INCAB – Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira / IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas) para iniciar o resgate do bicho.

“Há alguns meses atrás, uma anta atropelada e ferida, também na Rodovia MS-040, ficou na beira da rodovia por mais de 24 horas sem resgate. Infelizmente não resistiu e veio à óbito. Não queríamos permitir que o mesmo acontecesse com mais uma espécie ameaçada”, afirmou Ariel Canena, veterinário na INCAB-IPÊ.

Os pesquisadores contam que, ao chegar no local da colisão, o veado foi avistado já deitado na faixa de domínio da rodovia, exposto ao sol. Com o ruído da caminhonete e a presença da equipe de resgate o animal tentou se levantar e foi impossibilitado pela evidente paralisia de seus membros posteriores.

Três veterinários avaliaram o caso e optaram por anestesiar o animal para examiná-lo e decidir seu destino.

“Às 11h45, um dos horários mais quentes do dia, o termômetro colocado no animal marcava 41.5 graus e a sua respiração estava muito acelerada, provavelmente devido ao calor e estresse. Durante o exame físico nenhuma fratura foi constatada, mas o animal apresentava diversas escoriações devido a colisão com o veículo.

Seguindo o protocolo, o animal foi acondicionado em caixa de transporte, ainda sedado, e encaminhado para o CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) de Campo Grande, para obter um diagnóstico mais acurado e receber o tratamento adequado. Dessa forma, o animal ainda teria alguma chance de vida”, conta Ariel.

Segundo as informações cedidas pela coordenação do CRAS, nesta segunda-feira (29), apesar do animal estar em uma situação delicada, encontra-se vivo e em processo de recuperação.

Os pesquisadores envolvidos no resgate alertam para o fato de que o socorro a casos como este tem sido cada vez mais lento e que a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos não toma medidas para reduzir o número de acidentes nas estradas.

“A MS-040 corta áreas importantes para a fauna do Mato Grosso do Sul e urge por soluções efetivas que evitem colisões como essa. Além de importante para a conservação da biodiversidade é importante para a segurança dos condutores que utilizam a rodovia“– frizou Mario Alves, Médico Veterinário do Projeto Bandeiras e Rodovias.

Para os pesquisadores, se faz necessária a implementação urgente do Plano de Mitigação de Atropelamentos já apresentado ao governo e empresas administradoras de Rodovias no MS e uma melhor coordenação entre agências de meio ambiente e de transporte no Mato Grosso do Sul para resgatar espécies em casos de acidentes.

“É inadmissível que um dos Estados que mais recebe turismo para observação da fauna silvestre no país tenha rodovias tão impactantes para a fauna e tão despreparadas para reduzir tais impactos. Em qualquer viagem pelas rodovias do MS perde-se a conta do número de carcaças que vão se acumulando nas laterais das pistas. Antas, tamanduás-bandeira, tatus, veados, enfim… o triste retrato do modo pelo qual este estado desrespeita sua maior riqueza”, destaca Debora Yogui, Médica Veterinária no Projeto Bandeiras e Rodovias.

Atualmente, a Rodovia MS-040 é alvo de uma Ação Civil Pública promovida pelo Ministério Público Estadual para averiguar a responsabilidade tanto do órgão ambiental (IMASUL) quanto de transporte (AGESUL/SEINFRA) sobre as colisões envolvendo fauna silvestre, o que afeta diretamente a segurança dos usuários e a conservação de espécies ameaçadas de extinção.

Por Thiago de Souza com assessoria

Fonte: Top Mídia News

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